Com a crise, servidor perde prêmio por produtividade
Com críticas ao modelo criado na gestão anterior, Executivo diz não ter como quitar dívida
Premiados. Ao todo, no ano passado, 365 mil servidores da Cidade Administrativa receberam o bônus.
Com as contas zeradas e possibilidade de fechar o
ano com um déficit de R$ 10 bilhões, o governo de Minas não pagará aos
servidores públicos o Prêmio por Produtividade, bônus criado em 2003
para incentivar o cumprimento de metas no Estado. “Não temos condições
de pagar. Com o Estado em déficit, não podemos ter esse adicional.
Reconhecemos como dívida, mas não podemos pagar. O impacto é quase o de
uma folha (de pagamento)”, avisou o secretário de Estado de Planejamento
e Gestão (Seplag), Helvécio Magalhães, em entrevista a O TEMPO, por
telefone.
As metas para o ano de 2015 não foram pactuadas este ano com as
secretarias, segundo o secretário, por acreditar que o modelo não gera
qualidade no serviço público. Ao ser questionado sobre o desgaste que a
suspensão do prêmio poderá provocar junto ao funcionalismo, o secretário
fez críticas ao modelo instituído nas gestões passadas. Helvécio
Magalhães explicou que o prêmio não trouxe “boas práticas de gestão ao
serviço público”.
Segundo o secretário, o Estado pretende estudar no ano que vem outra
forma alternativa de premiar o funcionalismo por produtividade. “Com
certeza, nesse formato ele não vai existir mais. Não tem sentido, ele
(prêmio) não melhora a produtividade. Esse acordo era uma ficção”,
avaliou. Com isso, o Estado suspende o pagamento dos prêmios relativos
aos anos de 2013 e 2014, ainda da gestão passada: uma dívida em torno de
R$ 1,2 bilhão. O último benefício pago pelo Estado a título de
premiação foi em 2014, quando foram destinados R$ 570 milhões referentes
ao exercício de 2012, creditados em duas parcelas nas folhas de abril e
julho do ano passado. Ao todo, 365 mil trabalhadores da ativa receberam
o adicional nos salários. A decisão teve o efeito de “um balde de água
fria” nos servidores, que esperavam receber pelas metas cumpridas em
2013. “É claro que os funcionários se acostumaram a receber isso e todos
fazem planos. Os servidores estão realmente desanimados”, lamentou uma
servidora, que pediu para não ter o nome divulgado. “É lamentável
saber que cumprimos metas e que o prêmio não será pago. Com isso, o
governo corre o risco de dar um passo para trás, deixando o servidor
descrente”, disse outro funcionário efetivo, que também não quis ter o
nome revelado. Criado em 2003 e ampliado em 2008, o prêmio por
produtividade era pago de acordo com os índices de participação e com o
percentual de resultados alcançados pelos servidores públicos estaduais. (Com Tâmara Teixeira)
