Conspiração Mineira Pela Educação
Etimologicamente, conspirar significa respirar juntos, ou, ainda, conjugar os espíritos. Historicamente, para Minas e para o Brasil, a palavra Conspiração nos remete aos ideais de Tiradentes, raiz da nossa independência cujo bicentenário será comemorado em sete de setembro de 2022. Naquele período histórico, essa palavra expressava a conjugação das ideias e das ações voltadas para a conquista da libertação da colonização portuguesa.
A Carta do Caminho
Se todos quisermos poderemos fazer do Brasil uma grande nação
(Alferes de Cavalaria Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes)
Decorridos mais de dois séculos da Inconfidência Mineira e faltando apenas quinze anos para o Bicentenário da Independência, podemos afirmar que, não obstante o muito que avançamos no passado recente, a profecia do Alferes ainda não se concretizou de forma completa. O Brasil está longe de ocupar o lugar que, pelas suas potencialidades, lhe estaria reservado.O que até hoje nos aparta dessa condição? Um dos obstáculos mais formidáveis é um sistema de educação básica muito deficiente. De fato, sem uma Educação de Qualidade para Todos não poderemos realizar as nossas potencialidades. Não poderemos almejar a equidade social, a retomada do crescimento econômico sustentável e a inserção competitiva e soberana do Brasil na economia internacional.A decisão de criar uma Conspiração se nutre em uma transformação recente da nossa sociedade. Depois de décadas apenas acompanhando os esforços do Estado, a sociedade civil e suas lideranças se deram conta de que educação não é apenas assunto de governo, mas de todos. Portanto, é sua também a tarefa de melhorá-la.Rememorando o fato de o primeiro documento oficial escrito sobre o Brasil haver sido a Carta de Caminha, os redatores deste manifesto decidiram batizá-lo de A Carta do Caminho. Essa alusão às nossas origens dá força à prioridade merecida pela Educação, pelo fato incontestável – como o demonstra vastamente a experiência internacional – de ser a política pública de maior impacto social, a que mais promove o desenvolvimento econômico e a plataforma mais efetiva para todas as demais políticas públicas. Com A Carta do Caminho queremos contribuir para a travessia entre o Brasil que temos e o Brasil que queremos e podemos ser. Reconhecemos que o êxito deste movimento é fortemente dependente de três comunidades que integram o universo educacional. Primeiro, a comunidade que o lidera, constituída pelos dirigentes educacionais em todos os níveis – enfatizando de modo especial as diretoras e diretores das escolas. Segundo, a comunidade que estuda a educação e que, nas universidades e centros de pesquisas, aponta as saídas e produz reflexões sobre o passado, o presente e o futuro dos sistemas e métodos de ensino. E terceiro, ainda mais importante, os professores, técnicos e funcionários, que se levantam todos os dias e fazem a educação acontecer em cada rincão do país. Onde queremos chegar? Em última análise, queremos juntos encontrar caminhos para que cada escola tenha um ambiente adequado e voltado efetivamente para a aprendizagem, pois a escola só é boa quando o aluno aprende. Temos hoje um bom conhecimento dos problemas que afligem a escola. Sabemos também das soluções de sucesso, dentre nós e pelo mundo afora.
Aprendemos que a educação de qualidade se faz com soluções simples, robustas e ao alcance de quase todas as comunidades brasileiras.
· Boas escolas têm metas e prioridades claras, realistas e compartilhadas por todos.
· Não é possível obter resultados satisfatórios em nenhuma organização sem boa gestão e sem a criação de um ambiente positivo e estimulante. Por isso, a boa liderança dos diretores é fator crítico para a escola de qualidade.
· Um dos elementos indispensáveis é a aferição sistemática da aprendizagem, por meio de avaliação externa. É ela que nos permite entender as falhas, cobrar resultados e premiar os êxitos.
· A presença da política nas decisões escolares é deletéria e precisa ser banida.
Ao lançarmos este manifesto, celebramos nossa adesão formal aos objetivos e metas do Compromisso Nacional Todos pela Educação, para compartilharmos da evolução do nosso país no setor educacional, até o ano de 2022, data escolhida emblematicamente por ser o marco do Bicentenário da Independência
Nosso altruísmo e desvelo estão sendo chamados para desencadear o processo que deixará para nossos descendentes uma educação melhor – que é a grande ponte para a travessia do país que temos para o país com que sonhamos.
Começamos com a palavra inspiradora do Alferes Joaquim José da Silva Xavier e com ela vamos fechar essa conclamação. “Dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria”. Não importa se o alcance desses objetivos poderá ultrapassar a duração da vida de muitos de nós. O que importa é que o nosso compromisso seja perene e digno da grandiosidade do nosso país.
Artigo escrito pelo professor Antônio Carlos Gomes da Costa, que deixou como legado A Carta do Caminho
