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sábado, 23 de março de 2013

EDUCAÇÃO




23/03/2013

As crianças de hoje não estão preparadas para os esportes
CARLOS EDUARDO PACOME
Professor de educação física

Como professor e estudioso do assunto, confesso que estou perplexo com as dificuldades apresentadas pelos jovens nas iniciações e nas práticas esportivas. As atividades básicas dos seres humanos, tais como andar, correr, saltar, pular, subir, nadar, chutar, puxar, lançar etc., não são mais desenvolvidas pela maioria das crianças. E mais: as gostosas e salutares brincadeiras de rua foram substituídas pelos famigerados jogos eletrônicos e o computador. Onde já se viu o professor ter de ensinar os alunos a correrem? Inacreditavelmente, isso acontece. Em breve, os professores ensinarão a garotada a andar.

Os garotos "viciados" em computador apresentam tempo de reação retardado, comportamento introvertido e difícil relacionamento com o grupo. Interessante observar que, além dessas dificuldades, eles têm menor flexibilidade, agilidade e mobilidade. São garotos travados. Segundo estudiosos, o computador, assim como as drogas, provoca a escravidão de seus usuários.

Em virtude disso, são acometidos pela ginecomastia - o aumento anormal das glândulas mamárias do homem. São acometidos com essa anomalia os jovens sedentários e que abusam de alimentos calóricos.
O maior problema desse incômodo é que, por vergonha, esses garotos não tiram a camisa em público nem nas atividades esportivas. Devido a isso, ficam arredios. A ginecomastia, além de levá-los à rejeição social, leva-os também à perda da autoestima. Pior, esses garotos, por mais que professores fiscalizem, são alvo de deboche e chacota dos colegas. Ao contrário do que se imagina, o bullying não existe somente nas escolas. Essa perversa "brincadeira" também acontece nos clubes durante as práticas esportivas.

Atualmente, os professores utilizam os mais modernos processos didático-pedagógicos, e o resultado está longe do desejado. É impressionante a dificuldade dos jovens para aprender os gestos técnicos esportivos básicos. Além disso, é notada a pouca evolução técnica, pois lhes falta coordenação psicomotora. As habilidades coordenativas devem ser desenvolvidas dos 7 aos 14 anos de idade. Após esse período, seu desenvolvimento motor fica comprometido. As áreas do cérebro correspondentes à psicomotricidade precisam receber estímulos. Lamentavelmente, nessa faixa etária, os jovens exercem atividades sedentárias, principalmente ligadas à tecnologia. Interessante ressaltar que toda essa parafernália tecnológica, aliada a péssimos hábitos alimentares, tem provocado um maior número de casos de obesidade, devido ao estilo sedentário exigido pela tecnologia: a lei do menor esforço.

Observo que a falta de coordenação psicomotora está intimamente relacionada com o nível socioeconômico do garoto: quanto mais alto, maiores são as dificuldades, e, quanto menor, melhores são as suas habilidades coordenativas. Por que isso acontece? Os garotos da periferia brincam com atividades ligadas à natureza, enquanto os de maior nível social ficam trancafiados em casa, comendo guloseimas e brincando no computador. Esse comportamento contribui para a perda da defesa imunológica. É impressionante como qualquer arranhão, espirro ou tosse é o bastante para a meninada cair de cama. É estarrecedora a fragilidade da saúde da molecada.

Até meados do século XX, a humanidade foi vítima das pragas e das pestes que castigavam o planeta. Desde então, surgiu um modo moderno de adoecer, determinado por hábitos prejudiciais à saúde. O avanço tecnológico, paradoxalmente, está trazendo mais prejuízo do que benefícios para nossos filhos. Precisamos inverter essa equação.