Na Rede TV
Candidatos voltam a mentir em debate na televisão
Pimenta da Veiga, Tarcísio Delgado e Fidélis usaram dados incorretos ou distorcidos
22/09/14 - 19h51

Assim como aconteceu no debate anterior, realizado na Band, os
candidatos ao governo de Minas distorceram dados e usaram números
incorretos no encontro realizado no último domingo, na "Rede TV", em
parceria com o "Portal IG" e a participação do jornal O TEMPO. O evento
contou com a presença de Pimenta da Veiga (PSDB), Tarcísio Delgado (PSB)
e Fidélis Alcântara (PSOL). O petista Fernando Pimentel, que havia
confirmado presença, desistiu alegando uma faringite. Os erros se deram
justamente nos momentos de embate direto entre os candidatos, sobretudo
nos temas educação, segurança e saúde.
Pimenta da Veiga e Fidélis Alcântara discutiam a situação da educação
em Minas Gerais e divergiram ao falar sobre o esgotamento sanitário nas
unidades geridas pela rede pública estadual. O candidato do PSOL
afirmou que eram 660 unidades sem esgoto na rede pública, quando, na
verdade, de acordo com levantamento da Fundação Lemann, com dados do o
Censo Escolar do Inep 2013, são 610 escolas sem o serviço. Pimenta da
Veiga errou ainda mais de longe, ao dizer que conhecia apenas dez
escolas na situação, afirmando ainda que em todas há obras já sendo
realizadas.
A educação ainda gerou embate entre Pimenta e Tarcísio Delgado. Após o
candidato do PSB afirmar que a educação básica é de responsabilidade
dos municípios, Pimenta da Veiga disse que, na verdade, 40% está por
conta do Estado, enquanto 60% é gerida pelos municípios. De acordo com
os dados do Censo Escolar, no entanto, em Minas há 3.669 escolas de
educação básica no âmbito estadual, ou apenas 28,6% do total. Outras
9.104 são municipais (70,95%) e 58 oferecem ensino básico no âmbito
federal (0,45%). Tarcísio ainda disse que, em Juiz de Fora, há 125
escolas municipais com ensino básico, e apenas 11 estaduais. São 128
municipais, 48 estaduais e três federais, de acordo com o Censo.
Ao tratar da qualidade do ensino, Tarcísio disse que ao Estado cabe o
ensino médico, "que é o pior que existe no Brasil". Nem de longe Minas é
o pior. Na verdade, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (Ideb), do governo federal, o Estado tem a terceira
melhor educação em ensino médio do Brasil, considerando a rede pública
estadual. Assim, Minas se iguala a Pernambuco, Rio de Janeiro e Santa
Catarina, estando atrás apenas de Goiás e Rio Grande do Sul.
Criminalidade
No debate sobre segurança, o socialista e o tucano também
apresentaram dados conflitantes. Tarcísio disse que a taxa de crimes
violentos saltou de 250 para 430 por mil habitantes entre 2010 e 2013,
um aumento de 72%. De fato a taxa subiu 72%, passando de 250 para 430.
No entanto, o índice se dá por 100 mil habitantes e não por mil
habitantes como disse o candidato. Ele ainda voltou a insistir, como no
outro debate, que Minas é o Estado mais violento do país. Na verdade,
segundo o relatório “Mapa da Violência”, em sua prévia de 2014, apesar
de ter registrado um aumento acima da média no número de homicídios nos
últimos anos, Minas ocupa só a 22ª posição no ranking nacional. O Estado
registrou, em 2012, 22,8 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes.
Alagoas, que lidera a lista, registrou 64,6, para se notar a diferença.
Pimenta da Veiga também errou sobre segurança. Primeiro, disse que
Minas tem a segunda menor taxa de homicídios por 100 mil habitantes no
Sudeste. Depois, disse que era a menor da região, usando como fonte o 7º
Anuário Brasileiro de Segurança. De fato, embora tenha crescido 7,4%
entre 2011 e 2012, Minas tem a segunda menor taxa do Sudeste. É maior
que a taxa de São Paulo, o que torna errada a segunda declaração.
Nas discussões sobre a Lei 100, que efetivou servidores sem concurso e
foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF),
Pimenta disse que quatro Estados fizeram legislações parecidas, e só a
oposição de Minas conseguiu derrubar o texto na Justiça. Na verdade, em
fevereiro de 2014, o STF derrubou a efetivação de 11 mil contratados no
Acre, dando prazo de um ano para que deixassem os cargos.
O candidato do PSDB ainda disse que Fernando Pimentel é que "está com
as burras cheias, com muita doação", em referência às doações de
campanha, dizendo que ele conseguiu menos. Não é verdade. De acordo com a
última prestação de contas dos candidatos, Pimenta obteve o dobro de
verbas que Pimentel. Até o início do mês, a campanha do tucano havia
arrecadado R$ 12,3 milhões e a petista, R$ 5,3 milhões.
Na intensa discussão sobre saúde com Fidélis e Tarcísio, os
adversários disseram que nenhum dos hospitais regionais prometidos na
última gestão foi entregue. Pimenta disse que foram três. Todos erraram.
Há sim um hospital regional em funcionamento: o de Uberlândia. Em
relação aos outros dois citados pelo candidato do PSDB, ele se
confundiu. A pergunta foi sobre hospitais regionais e a resposta dele
fez referência a dois hospitais municipais que tiveram apoio do governo
do Estado por meio do Programa de Fortalecimento e Melhoria da Qualidade
dos Hospitais (Pro-Hosp/MG): Ibirité e Pirapora. Das 12 unidades
regionais prometidas pelo governo do Estado apenas um está funcionando. O
de Uberaba está em fase final de construção, outros sete estão em obras
e três estão na etapa de projetos, de acordo com a Secretaria de Estado
de Saúde.

