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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Como votar em um candidato que desconhece a realidade do seu próprio estado???

 Na Rede TV

Candidatos voltam a mentir em debate na televisão

Pimenta da Veiga, Tarcísio Delgado e Fidélis usaram dados incorretos ou distorcidos

22/09/14 - 19h51

Assim como aconteceu no debate anterior, realizado na Band, os candidatos ao governo de Minas distorceram dados e usaram números incorretos no encontro realizado no último domingo, na "Rede TV", em parceria com o "Portal IG" e a participação do jornal O TEMPO. O evento contou com a presença de Pimenta da Veiga (PSDB), Tarcísio Delgado (PSB) e Fidélis Alcântara (PSOL). O petista Fernando Pimentel, que havia confirmado presença, desistiu alegando uma faringite. Os erros se deram justamente nos momentos de embate direto entre os candidatos, sobretudo nos temas educação, segurança e saúde.
Pimenta da Veiga e Fidélis Alcântara discutiam a situação da educação em Minas Gerais e divergiram ao falar sobre o esgotamento sanitário nas unidades geridas pela rede pública estadual. O candidato do PSOL afirmou que eram 660 unidades sem esgoto na rede pública, quando, na verdade, de acordo com levantamento da Fundação Lemann, com dados do o Censo Escolar do Inep 2013, são 610 escolas sem o serviço. Pimenta da Veiga errou ainda mais de longe, ao dizer que conhecia apenas dez escolas na situação, afirmando ainda que em todas há obras já sendo realizadas.
A educação ainda gerou embate entre Pimenta e Tarcísio Delgado. Após o candidato do PSB afirmar que a educação básica é de responsabilidade dos municípios, Pimenta da Veiga disse que, na verdade, 40% está por conta do Estado, enquanto 60% é gerida pelos municípios. De acordo com os dados do Censo Escolar, no entanto, em Minas há 3.669 escolas de educação básica no âmbito estadual, ou apenas 28,6% do total. Outras 9.104 são municipais (70,95%) e 58 oferecem ensino básico no âmbito federal (0,45%). Tarcísio ainda disse que, em Juiz de Fora, há 125 escolas municipais com ensino básico, e apenas 11 estaduais. São 128 municipais, 48 estaduais e três federais, de acordo com o Censo.
Ao tratar da qualidade do ensino, Tarcísio disse que ao Estado cabe o ensino médico, "que é o pior que existe no Brasil". Nem de longe Minas é o pior. Na verdade, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), do governo federal, o Estado tem a terceira melhor educação em ensino médio do Brasil, considerando a rede pública estadual. Assim, Minas se iguala a Pernambuco, Rio de Janeiro e Santa Catarina, estando atrás apenas de Goiás e Rio Grande do Sul.
Criminalidade
No debate sobre segurança, o socialista e o tucano também apresentaram dados conflitantes. Tarcísio disse que a taxa de crimes violentos saltou de 250 para 430 por mil habitantes entre 2010 e 2013, um aumento de 72%. De fato a taxa subiu 72%, passando de 250 para 430. No entanto, o índice se dá por 100 mil habitantes e não por mil habitantes como disse o candidato. Ele ainda voltou a insistir, como no outro debate, que Minas é o Estado mais violento do país. Na verdade, segundo o relatório “Mapa da Violência”, em sua prévia de 2014, apesar de ter registrado um aumento acima da média no número de homicídios nos últimos anos, Minas ocupa só a 22ª posição no ranking nacional. O Estado registrou, em 2012, 22,8 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes. Alagoas, que lidera a lista, registrou 64,6, para se notar a diferença.
Pimenta da Veiga também errou sobre segurança. Primeiro, disse que Minas tem a segunda menor taxa de homicídios por 100 mil habitantes no Sudeste. Depois, disse que era a menor da região, usando como fonte o 7º Anuário Brasileiro de Segurança. De fato, embora tenha crescido 7,4% entre 2011 e 2012, Minas tem a segunda menor taxa do Sudeste. É maior que a taxa de São Paulo, o que torna errada a segunda declaração.
Nas discussões sobre a Lei 100, que efetivou servidores sem concurso e foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Pimenta disse que quatro Estados fizeram legislações parecidas, e só a oposição de Minas conseguiu derrubar o texto na Justiça. Na verdade, em fevereiro de 2014, o STF derrubou a efetivação de 11 mil contratados no Acre, dando prazo de um ano para que deixassem os cargos.
O candidato do PSDB ainda disse que Fernando Pimentel é que "está com as burras cheias, com muita doação", em referência às doações de campanha, dizendo que ele conseguiu menos. Não é verdade. De acordo com a última prestação de contas dos candidatos, Pimenta obteve o dobro de verbas que Pimentel. Até o início do mês, a campanha do tucano havia arrecadado R$ 12,3 milhões e a petista, R$ 5,3 milhões.
Na intensa discussão sobre saúde com Fidélis e Tarcísio, os adversários disseram que nenhum dos hospitais regionais prometidos na última gestão foi entregue. Pimenta disse que foram três. Todos erraram. Há sim um hospital regional em funcionamento: o de Uberlândia. Em relação aos outros dois citados pelo candidato do PSDB, ele se confundiu. A pergunta foi sobre hospitais regionais e a resposta dele fez referência a dois hospitais municipais que tiveram apoio do governo do Estado por meio do Programa de Fortalecimento e Melhoria da Qualidade dos Hospitais (Pro-Hosp/MG): Ibirité e Pirapora. Das 12 unidades regionais prometidas pelo governo do Estado apenas um está funcionando. O de Uberaba está em fase final de construção, outros sete estão em obras e três estão na etapa de projetos, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde.