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terça-feira, 16 de abril de 2013

INFÂNCIA PERDIDA

Maus exemplos = má-formação.
publicado no Jornal OTEMPO em 16/04/2013

EDVALDO PICCININI TEIXEIRA
Coronel da PM reformado, presidente do Clube dos Oficiais da PMMG e vereador (BH)

Nascidos e criados num contexto sociocultural diferente do que hoje vivenciamos, estarrecidos, indignados e até mesmo atemorizados, somos forçados a conviver num ambiente social em acelerada degradação dos costumes, onde a violência vem ocupando espaço cada vez maior.

Na verdade, valores primordiais para a construção de uma sociedade justa e ordeira, tais como família, respeito aos mais velhos, patriotismo, cumprimento dos deveres antes de reclamar os direitos e, o mais importante de todos, temor a Deus, parecem ter ficado fora de moda e se distanciado dos objetivos das novas gerações.

Vivemos numa babel de falas e comportamentos desencontrados, onde minorias barulhentas vêm se impondo à maioria silenciosa, onde o ato de punir passou a ser palavrão, onde qualquer palavra mais enérgica logo é taxada como retrógrada e até mesmo como uma imposição ditatorial.

O resultado mais palpável é a impunidade, responsável, em primeira e última análise, pela falta de limites sociais, pelos comportamentos violentos, em que agredir e matar o semelhante é algo banal, expressão comum dos menores infratores ao assumirem, em entrevistas à mídia, seus crimes.

Focando aqui apenas a questão da violência nas escolas, por entendermos ser um dos vértices mais importantes do problema, preocupa-nos, sobremaneira, a cegueira ou a omissão das autoridades responsáveis por sua administração e busca de solução.

O absurdo dessa nova pedagogia, que baniu os castigos aos alunos e a cobrança de suas responsabilidades e deveres, retira a autoridade do professor, desestabiliza a educação, promove os maus exemplos, concorre para a má-formação do caráter desse futuro cidadão e, o que é pior, deságua num fenômeno social que podemos chamar de "infância perdida".

O também absurdo de teorias que justificam a violência marginal como decorrente das gritantes diferenças sociais, fruto de estapafúrdias ideias, produziu um marginal que justifica sua ação violenta contra o cidadão de bem como um direito de retomar para si o que lhe foi negado pela sociedade.

Acontece que o maior número de vítimas desses marginais está nas classes menos favorecidas, o que contradiz esse referencial teórico. Ao se criar essa justificativa, que funciona como uma espécie de passe livre para a prática do crime, ela anula todos os esforços individuais e os dos órgãos assistenciais em formar cidadãos ordeiros e capazes de, por si só, ascender na escala social.

As escolas pedem socorro. Dominadas pelo medo e pelas ameaças constantes de alunos infratores, certos da impunidade de seus atos, não conseguem formar bem os nossos jovens para enfrentar, com boas chances de vencer, os obstáculos do dia a dia da vida em sociedade. Muitos, face ao exemplo que recebem desses infratores, atraídos por esse canto de sereia, terminam optando pela senda do crime. Daí a expressão que vem a propósito: infância perdida.